sábado, maio 06, 2017

esperança, ainda


aconteceu na República Checa e vem no Público hoje e em todos os jornais e redes sociais do mundo. um comício do partido neonazi local foi objecto de uma contramanifestação. uma foto feliz apanhou uma escoteira de 16 anos, Lucie Myslikova, numa aura de bolas de sabão, a argumentar com um enfurecido porco neonazi.

«(...) "Eu não estava com medo”, garante Myslikova. “Eu fui à contramanifestação como alguém que está determinada a alterar as coisas. Para mim, faz sentido tentar e mudar o mundo à minha volta”
(...) revela que a discussão se centrou nos refugiados e imigrantes. O argumento que a escoteira apresentou era o de que os países têm o dever de ajudar aqueles que fogem da guerra e que não existem fronteiras, cita a BBC. O homem, que não foi identificado, respondeu, dizendo-lhe que deveria ser violada pelas pessoas que ela está a tentar salvar.
(...) Vladimir Cicmanec foi quem tirou a fotografia (...)»
num segundo, numa só imagem, o eterno triunfo da paz sobre a raiva, da coragem sobre o terror. é também o triunfo da esperança.

quero muito ser deste mundo sagrado.

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quarta-feira, dezembro 16, 2009

a gripe

foto tirada por um colega frente ao ministério da saúde espanhol. tudo o que por cá ainda falta assumir. o que, à medida que o tempo passa, fica cada vez mais difícil de explicar .

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terça-feira, setembro 22, 2009

mais, da gripe A

aqui, mais uma tomada de posição da Equipo Cesca (uma organização médica académica espanhola) e de Juan Gérvas, sempre incansável, desta feita, sobre a vacina contra a gripe A que parece que já vem aí, mesmo sem que haja ensaios clínicos controlados e randomizados que assegurem a sua boa relação risco/benefício.

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quinta-feira, setembro 10, 2009

a tragédia dos partidos

que uma mulher, sóbria e recta como Manuela Ferreira Leite pretende ser (como eu acreditava que fosse, embora não lhe reconhecesse capacidade para liderar um governo), tenha de fazer de conta que:
  • o jornalismo sensacionalista e de enxovalho de Manuela Moura Guedes tenha um valor tal que o seu afastamento só se possa explicar por asfixia democrática;
  • o mundo de Alberto João Jardim seja normal e isento dos métodos de que ela acusa Sócrates;
é para mim do mais trágico que a política partidária ainda me poderia trazer.

(declaração de interesses: nunca tive qualquer filiação partidária mas, nascida numa casa social-democrata, em 25 anos de eleições terei votado PSD mais de 90% das vezes - apenas votei 2 vezes no socialista Fernando Gomes nos seus primeiros mandatos de Porto, com a Manuela Melo, uma vez no PSR, muito, muito no seu princípio e uma vez no Sócrates, a qual penso repetir)

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segunda-feira, agosto 31, 2009

gripe A: paciência, tranquilidade, bom senso e ciência

sobre a gripe A, mais uma vez o Prof. Juan Gérvas (que já aqui e aqui apresentei) nos tranquiliza: não estamos a delirar, é verdade, o rei vai nu. as provas estão na página da Equipo Cesca, com direito a actualização frequente (em cerca de 1 mês já vai na 9ª versão) e a tradução para português (a disponível já é de há 10 dias, da 7ª ou 8ª versão, pelo que os preciosistas devem ler a versão em castelhano).

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quinta-feira, novembro 13, 2008

a escolha de Hannah


Hannah é uma menina de treze anos, doente desde os quatro. teve uma leucemia, fez muita quimioterapia e, dizem, "uma dúzia de operações". entretanto, o seu coração quase que deixou de trabalhar. passou, nestes 9 anos, muito tempo no hospital, "demasiado", diz ela, "já passei por demasiada dor".

há tempos, os médicos decidiram que o próximo tratamento seria um transplante cardíaco, sem o qual Hannah não deveria viver 6 meses. mas, desta vez, Hannah decidiu que lhe competia a ela determinar como viveria a vida que lhe restava. e que não seria em hospitais, nem em cirurgias; nem a fazer quimioterapia, cravejada de agulhas; nem rodeada de médicos e de enfermeiras. decidiu que já chegava disso e, com uma comovente lucidez, explicou às TV de todo o mundo que os riscos dos transplantes em crianças eram muitos e que ela não desejava corrê-los. escolheu ficar em casa com os pais e irmãos, no seu quarto, com as suas coisas, até a morte chegar. pediu para ir à Disneyland e os pais talvez a levem.

mas um dos médicos não conseguiu compreender. na sua volúpia tecnológica e empenho em conquistar vida à morte, provavelmente ultra-especialista em doenças e super-hábil em sofisticadas intervenções, afinal não conhecia aquela menina nem sabia quase nada de crianças, nem de pessoas, nem de viver e queria obrigá-la a ser operada, nem que tivesse que a retirar da guarda dos seus pais. mas Hannah explicou-lhe, e a nós todos, que há uma altura em que viver mais não é o mais importante.

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sábado, outubro 18, 2008

e por falar em crise


"Hoje no mundo, exactamente neste momento, há pessoas a fazerem fila num campo de refugiados depois de fugirem de uma guerra que não sabem de onde veio nem porquê. Deixaram tudo e esse tudo não são MP3, Telemóveis PC's, roupas de marca e outros acessórios ou gadgets. Deixaram tudo... tudo mesmo: a casa de barro, a esteira que faz de cama, a cadeira e a tigela de madeira onde se come o único alimento quando ele existe: a mandioca. Deixaram apenas isto, porque isto é tudo o que tinham. (...)"

(pela mão do Jó chegou a informação de que em Aveiro, houve uma semana - a Objectivo 2015 - a falar de uma outra espécie de crise)

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sábado, setembro 27, 2008

os barrigas cheias de teconologia

estou com Eduardo Pitta: não há paciência para todo este burburinho anti-Magalhães, vindo de quem tem a barriga cheia de tecnologia.

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terça-feira, junho 10, 2008

triste dia de Portugal

estou aterrada com o que tenho sabido do protesto dos camionistas. afinal, ainda se faz tábua rasa da civilidade e dos direitos (alheios) e deveres (próprios). aquela que dizem ser a garantia das gerações do pós 25 de Abril (a liberdade), afinal, não pode ser dada como adquirida.

é possível em pleno século XXI, numa democracia madura de 34 anos, num orgulhosamente europeu estado de direito, um bando de homens emboscarem estradas, vandalizarem camiões e ameaçarem e agredirem quem não age como eles. e é possível, não só fazerem-no, como usufruirem de uma assustadora impunidade ao agirem perante as autoridades presentes (a GNR) e perante um país sentado impávido (ou direi antes: anestesiado de bola?) do outro lado das câmaras de TV.

num instante, os nossos ditos brandos costumes transformam-se no horror daquilo que o Homem ("se isto é um homem"), esse péssimo selvagem, tem de pior. a cegueira que nos toma quando a nossa razão é maior do que a dos outros. não podia ser mais: triste este dia de Portugal. triste este dia para Portugal.

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segunda-feira, abril 07, 2008

do outro lado

do outro lado da tragédia de Israel, estão histórias como esta que a Ana reproduz com o exacto assombro das imagens que passaram há dias na TV. é uma história ao contrário da dos judeus: é como se, quanto mais lêssemos sobre ela, menos a pudéssemos entender. são milhares de anos de vida que não é possível aprender. como se houvesse uma gralha no mundo, uma falta de sentido demasiado insana para ser possível.

a Ana fala também do Tibete. diz que a China se lhe assoma como um monstro, de duas cabeças. são tantos os monstros que a história nos reserva que, cruelmente, deixamos de ligar. convertemo-nos, nós próprios, no mais atroz dos monstros que é aquele que se deixa ficar a assistir.

"vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar". era bom Sophia, se fosse verdade.

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terça-feira, dezembro 18, 2007

exercício de pensar

não resisto a deixar-vos aqui o caminho para um texto que é uma fonte de água pura no lago lodoso que tem sido a mediatização da vacina dita contra o cancro do colo do útero. publicado embora numa revista médica (e em castelhano!), a sua escrita é tão fluente, tão despudorada e descomprometida, que ilumina mesmo os leigos, empurra o mais lerdo para o exercício de pensar. abre uma clareira na selva densa da propaganda médica. faz um silêncio revelador no ruído infernal da demagogia.

o seu autor, Juan Gervas, é médico de família numa zona rural de Espanha. pensador e homem de ciência, fez da sua vida uma cruzada pelo posicionamento da inovação e da tecnologia médicas no seu devido lugar. dedicou-se a questionar a utilidade real (isto é, o benefício concreto para as pessoas e para os doentes) de atitudes e procedimentos médicos, nos quais, não raro, são investidos recursos avultados sem que haja evidência científica que o sustente. Juan Gervas é, além disso, um colosso vivo, um monstro da comunicação (a ponto de ter de me beliscar quando um dia me vi entre uma assembleia de congressistas perante a qual ele falou mais de meia hora, de pé, sem microfone, sem powerpoint, usando apenas, segundo as suas palavras, o meio audiovisual mais antigo do mundo: o teatro).

mas o que mais impressiona em Juan Gervas, o que nele marca o nosso pensamento - como um ferro em brasa - é a sua nítida e absoluta liberdade. pensa-se melhor depois de o conhecer: é-se mais inteiro, mais exigente; as verdades que nos vendem deixam-se radiografar, desmontar e conhecer (e, por vezes, transformam-se em falácias).

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terça-feira, novembro 20, 2007

acordo ortográfico

I, 6 anos:
- nono, décimo, ônzimo, dôzimo, trêzimo (...)

(há dias ouvi na TV um linguista defender que o português se devia ir actualizando no sentido de se tornar mais simples e mais facilmente apreendido por estrangeiros. se é isso que se pretende, então eu sugiro: falem com as crianças)

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quarta-feira, outubro 10, 2007

pérolas ou pão? das barrigas cheias de tecnologia

pode parecer incrível, mas há um mundo de gente - incluindo crianças e adolescentes - que não têm computador, nem em sua casa, nem na de familiares, nem na sua sala de aula. é um mundo quase inimaginável, mesmo para mim que o constatei entre os colegas da escola onde o meu filho andou até ao ano passado. são pessoas que não falam a linguagem do mundo actual e que, assim prosseguindo, só à margem poderão encontrar um lugar para si.

no entanto, continuam a surgir vozes desdenhando da iniciativa que tem facilitado aos estudantes a aquisição de computador com acesso à internet: alertam-nos para os perigos da tecnologia e avisam-nos que não será ela a salvar o ensino nem o mundo. sim, eu também fui feliz e fiz o meu curso sem computadores. mas isso foi naquele tempo: de lousas, sebentas de papel barato e penas de aparo metálico que se molhavam no tinteiro. sim, eu também doseio todos os dias as horas que os meus filhos passam no computador (e na TV e na play-station). sim. sim, quem dera que o que quer que fosse salvasse o mundo.

só não acho bonito desdenhar assim, de barriga cheia de tecnologia, desvalorizando a possibilidade, assim oferecida, a mais alguns de correrem connosco na posse de um mínimo de ferramentas (e quase insinuando que oferecer um computador a algumas pessoas será como dar pérolas a porcos).

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quarta-feira, maio 30, 2007

ainda os erros nas provas de aferição

isto é admitir que a ortografia não é necessária à vida. que é dela separável. e da leitura, e da escrita. que é uma birra, uma exigência mesquinha de alguns linguistas. que tudo não passa de um jogo: agora vale, agora já não vale (dar erros, interpretar, escrever).

e para quando provas de aferição a estes mandantes?

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domingo, abril 15, 2007

se eu fosse primeiro-ministro

ia ser muito difícil de explicar todas as irregularidades ocorridas durante a minha licenciatura. e eu nunca pedi favores a ninguém. e era uma universidade pública. com nome. mas portuguesa, no seu pior.

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terça-feira, janeiro 23, 2007

portanto

subtraio uma criança ao legítimo detentor da sua guarda, o tempo suficiente para que ela se afeiçoe a mim: adquiro assim direitos sobre ela? retardo tanto quanto posso o cumprimento de uma ordem do tribunal: isso pode constituir prova de amor de um adulto responsável? sou mais respeitável (tenho melhor ar na TV): sou melhor pai? a mãe não me pode ver à frente: não sirvo para pai?

links essenciais para os que se sentem ET em toda esta história:
quanto à Esmeralda, que, como consta no acordão, até no seu nome foi ursupada, oxalá não sonhe tão cedo o mundo em que vive. e que seja retirada o menos ferida possível de debaixo da pilha instável de erros sob a qual foi escondida.

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