linha do norte
domingo, maio 18, 2008
quando às vezes parece que se é um caso isolado (cá em casa sou), é bom perceber que não sou a única. e, portanto, há esperança.
sábado, abril 19, 2008
a Missão
nos últimos dias, a Missão para os Cuidados de Saúde Primários tem aparecido nos jornais e merecido algumas frases em noticiários de TV. a Missão é a equipa encarregue de levar a cabo uma profunda remodelação dos cuidados de saúde em Portugal e, embora isso não seja nada que se compare ao resultado do benfica-sporting ou à crise do PSD, sempre é notícia se surge uma demissão (que não se concretizou), umas reuniões com a ministra da saúde e depois oito demissões, essas sim, concretas.
como me entristece que o momento mais promissor de sempre para o nosso sistema de saúde seja tão pouco notícia, e quase só o seja pelas piores razões, e como me irrita que às notícias disponibilizadas on-line e aos posts em blogs que as linkavam, prontamente surjam os comentários bélicos, mesquinhos, vendidos e anónimos do costume, apetece-me vir aqui dizer que apoio a Missão na sua tarefa.
a Medicina Geral e Familiar é a especialidade charneira dos cuidados de saúde primários e, sabemos hoje, os sistemas de saúde baseados nos cuidados de saúde primários são os mais eficientes e sustentáveis. o coordenador da Missão, o Dr. Luís Pisco, já há muitos anos que lidera os médicos de família (portugueses e europeus) na construção da MGF como uma área científica, uma filosofia e uma prática de excelência. sendo um médico, e não um político, agarrou a oportunidade que foi oferecida à MGF de se ver no centro das orientações nacionais de fundo para a saúde, participando do respectivo enquadramento normativo e legal.
oxalá a Missão continue a trabalhar pelo que a MGF acredita ser o melhor sistema de saúde para um país. é um trabalho complexo e que provavelmente nunca estará completo. mantenham os seus membros a sabedoria, a serenidade, a persistência e o desprendimento que o Dr. Luís Pisco tem revelado no seu percurso pela MGF.
sábado, janeiro 05, 2008
antigamente

antigamente não havia televisão em todas as casas. na minha entrou um dia (calculo que em 1970) um aparelho emprestado: era da empresa sueca onde o meu pai trabalhava. dizia-se lá em casa que a televisão era dos patrões do pai e eu, muito miúda, achando que patrões seriam indivíduos aparentados com os ladrões, vivia perturbada a colaboração da família naquela operação ilícita.
depois não percebia porquê tanto alarde à volta de um caixote onde apenas passavam imagens fracas e descoloridas de homens imensamente aborrecidos. lembro-me de estar com os meus irmãos em frente ao "Se bem me lembro" do Vitorino Nemésio: tirávamos o som e ficávamos a gozar com ele por gesticular muito e pelos seus óculos de fundo de garrafa.
depois, aos poucos, foram aparecendo os desenhos animados. nada que se assemelhe à programação infantil dos anos mais recentes. não. os desenhos animados eram acontecimentos que ocorriam sem aviso prévio, sem hora nem dia fixo, por períodos de tempos que me pareciam sempre meteóricos, por vezes apenas com a duração suficiente a cobrir o atraso de qualquer outro programa. invariavelmente apanhávamos as histórias a meio e queríamos sempre só mais uma que nunca vinha. do Speedy Gonzalez, do Calimero, dos Barbapapa e do Chapi Chapo guardo uma memória equivalente à das paixões platónicas nunca correspondidas.
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nostalgia pura

via Rui, no Banana Killers & Co., o mais nostálgico regresso à minha infância. Chapi Chapo, o cinema de animação que nos anos 70 fazia as delícias de muitas crianças, agora no You Tube. além do genérico, 2 episódios inteirinhos que revi quase em transe, perante os olhares incrédulos da restante família a quem tentei - acho que em vão - explicar a razão do meu deslumbramento.
Etiquetas: país de cristal, TV
quarta-feira, julho 25, 2007
não gostei
de Ricardo Costa a entrevistar Sócrates, agorinha, na SIC. várias respostas do primeiro-ministro foram cortadas com argumentos de que não havia tempo e havia outros assuntos a abordar. no entanto, após cada pergunta inicial, não havia a agilidade da contra-pergunta a procurar, com elegância, as falácias e as fragilidades do rol de benefícios enunciados. chegou mesmo a enveredar pela questão com alfinetada incorporada ("leu a entrevista de Manuel Alegre? Não vai dizer que concordou..."). uma postura lamentável para um jornalista de quem se esperava mais, nomeadamente que fosse capaz de não deixar de transparecer as suas opiniões e embirrações pessoais.
domingo, abril 29, 2007
ainda o nosso retrato social

na terça-feira passada segui tranquila para a festa de aniversário (surpresa) da G, sabendo que podia mais tarde ver o episódio do retrato social do António Barreto aqui (indicação preciosa do J.). guardei-o para o degustar hoje ao pequeno-almoço (café escuro, torrada de manteiga e sumo de laranja).
mais uma vez me comovi até às minhas raízes: até zonas de mim que desconhecia. as imagens dos homens (tão novos) que partiam para a guerra; as histórias das mulheres que a nada tinham direito e, no entanto, sustinham o todo da vida familiar; o enunciar daquilo que, concretamente, lhes era vedado (perceber melhor as histórias de mulheres que ouço no consultório). um incómodo brutal por ter sido sujeita a isto (mesmo sendo criança) e por ter sido tão feliz enquanto assim viviam a minha mãe, as minhas avós, o meu tio que esteve na guerra, e tantos outros que sobreviveram a essa realidade que se me afigura insuportável.
comoção repetida, a que me vem habituando este documentário e que tem produzido o efeito inquietante de aumentar a minha tolerância às imperfeições e às eternas limitações do meu país e do seu povo.
Etiquetas: António Barreto, Portugal, TV
terça-feira, março 27, 2007
o retrato de Portugal
tropecei na televisão com o retrato de Portugal de António Barreto: eu reconheci aquele país pobre, de pés descalços, fascista, rural, infectado, esfaimado... é o país da minha infância e lembro-me de tantas dessas coisas: da cólera quando andava na primária, da roupa que usavam as minhas colegas desses anos, dos penteados da minha mãe - irremediavelmente parecida com todas a mulheres bonitas que apareciam naqueles filmes dos anos 60 -, da fotografia do Américo Tomaz na sala de aula.
fiquei a ver até ao fim, de pé no meio da sala, a meio de ir fazer outra coisa qualquer e sempre à espera de ver a seguir passar algum dos nossos amigos, a roullotte em que seguíamos de férias ou o NSU da família.
no fim fiquei adoentada com este retrato: nostálgica (não do que havia ou deixava de haver, mas do tempo que passa para sempre); incomodada, isso sim, com alguns caminhos que percorremos. porque como dizia AB, nem sempre se muda para melhor. nem sempre o que é mais seguro e mais limpo e menos pobre nos faz pessoas mais inteiras e mais felizes. e isso é muito complicado de perceber.
Etiquetas: Américo Tomaz, António Barreto, minhas histórias, Portugal, TV
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
se tiveres o amor

fico sempre agarrada à televisão se o que passa é "Sex and the City", não importa quantas vezes já tenha visto o episódio em causa. além de ser um regalo para os olhos, é divertido, alarga sempre os meus horizontes e, às vezes, como no último episódio da última série (que vi hoje pela segunda vez), ainda dá um nó na garganta, estremecendo-me os alicerces até às lágrimas.
Carrie termina dizendo que a relação mais excitante, desafiante e significativa é a que temos connosco próprios e que, se encontrarmos alguém que ame o eu que nós amamos, isso é fabuloso. é o amor e não há lugar interior que nos esteja vedado se o tivermos.
(não consigo deixar aqui nenhuma de duas músicas que me fascinaram neste último episódio, especialmente cuidado em termos de banda sonora: a que encerrou - um arrepiante "you got the love" de uma tal de Candi Staton; e o não menos assombroso "la belle et le bad boy" de M C Solaar, que acompanha as corridas estonteantes de Carrie e de Miranda - uma em Paris e outra em Nova York)
(adenda 2017)
Etiquetas: amor, Candi Staton, M C Solaar, TV
