terça-feira, março 27, 2007

o retrato de Portugal

tropecei na televisão com o retrato de Portugal de António Barreto: eu reconheci aquele país pobre, de pés descalços, fascista, rural, infectado, esfaimado... é o país da minha infância e lembro-me de tantas dessas coisas: da cólera quando andava na primária, da roupa que usavam as minhas colegas desses anos, dos penteados da minha mãe - irremediavelmente parecida com todas a mulheres bonitas que apareciam naqueles filmes dos anos 60 -, da fotografia do Américo Tomaz na sala de aula.

fiquei a ver até ao fim, de pé no meio da sala, a meio de ir fazer outra coisa qualquer e sempre à espera de ver a seguir passar algum dos nossos amigos, a roullotte em que seguíamos de férias ou o NSU da família.

no fim fiquei adoentada com este retrato: nostálgica (não do que havia ou deixava de haver, mas do tempo que passa para sempre); incomodada, isso sim, com alguns caminhos que percorremos. porque como dizia AB, nem sempre se muda para melhor. nem sempre o que é mais seguro e mais limpo e menos pobre nos faz pessoas mais inteiras e mais felizes. e isso é muito complicado de perceber.

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