linha do norte
terça-feira, fevereiro 13, 2007
"mulheres vão ser obrigadas a reflectir antes de abortar" (capa do Público, hoje)
é como se a palavra opção incomodasse muito e fosse preciso substituí-la, rapidamente, por outras, mais suportáveis.
proposta
para quem argumenta que não há recursos no sistema nacional de saúde para gastar com quer precisa de abortar, vinha propor o seguinte: fechávamos os centros de atendimento a toxicodependentes, os centros de alcoologia, os serviços de infecciosas que tratam doentes seropositivos e portadores de outras doenças sexualmente transmissíveis, as unidades coronárias que tratam grande comedores e fumadores (sim, é consigo, dr. Manuel Antunes) e todos os restantes serviços onde se cuidam cidadãos pecadores. assim, sobrava imenso dinheiro para tratar os restantes cidadãos, os moralmente intocáveis.
obrigada II
ontem, numa consulta ao domicílio (à cabeceira de uma cama sobre a qual pende, como na maioria das casas de doentes onde entro, uma imagem de nossa senhora), a esposa do doente (pessoa simples, de meia-idade), do nada, entre conversas de tosses e faltas de ar, olha-me nos olhos e atira: "eu votei sim, e a doutora?"
e eu pude perceber, melhor ainda, que os sins de domingo vieram também de gente como esta e da imensa sabedoria que emerge da vida das pessoas, desta resiliência, desta vontade que liberta por dentro e tudo supera.
tinha-me apetecido encerrar o assunto do referendo aqui no blog mas esta história veio ontem ter comigo e mostrar-me que isso ainda não é possível. chegamos a um ponto de não retorno.
tinha-me apetecido encerrar o assunto do referendo aqui no blog mas esta história veio ontem ter comigo e mostrar-me que isso ainda não é possível. chegamos a um ponto de não retorno.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
obrigada Portugal
quando soube, por um sms chegado enquanto trabalhava, que o sim vencera por larga margem, o que senti foi comoção, alívio e uma profunda gratidão aos milhões de portugueses que desta vez decidiram deixar bem claro que a decisão de abortar deve ser o que sempre foi: uma questão de consciência individual.
gratidão, em particular, pela liberdade interior demonstrada por aqueles que professam uma fé cujos ministros, na sua esmagadora maioria (honrosa excepção seja feita à imensa sabedoria de Frei Bento Domingues), os tentaram convencer do contrário. foi-me muito importante saber que não estava sozinha.
gratidão especial, também, a todos os que generosamente deram a sua cara e dedicaram o seu tempo e o seu trabalho a fazer campanha pela despenalização, fazendo a necessária frente ao ímpeto "patrulheiro", culpabilizante e penalizador dos movimentos do não. obrigada: Médicos pela escolha, Sim no referendo, Cidadania pelo sim, Eu voto sim e Movimento voto sim.
Etiquetas: aborto, Frei Bento Domingues, liberdade
domingo, fevereiro 11, 2007
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
espalhem a notícia
alguma arquitectura do não é assim maliciosa, invasora, falaciosa. quase que fico como não quero e como os sinto: agressiva, mal humorada, com vocação para patrulheira. quase que digo em coro: chamem a polícia.
Etiquetas: aborto
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
"os direitos de um bebé que vai nascer

- Direito a ser desejado por ambos os pais
- Direito a uma mãe disponível.
- Direito a um pai presente que directamente ou através da mãe acompanhe o crescimento do filho.
- Direito a um espaço - quarto da criança na casa de habitação"
nestes dias em que tanto se fala do direito dos embriões à vida, senti necessidade de voltar ao livro de Teresa Ferreira, compilação póstuma da vasta obra desta pedopsiquiatra que conheceu (e terá compreendido como poucos) crianças que foram bebés sem direito algum, excepto o da vida.
psicanalista de crianças, referida por Pedro Strecht (um dos organizadores do livro) como "uma pessoa que se colocava de forma única na primeira linha de defesa das crianças", fala-nos do paradoxo (ou dos limites da intervenção) da pedopsiquiatria: as crianças que mais sofrem, são as que mais tarde (ou nunca) chegam aos seus cuidados, por não haver quem as cuide a ponto de as trazer.
são histórias de horror (de abandono, violência, sexo, loucura) as que conheceu e que a levam a repetir, com desânimo, em vários dos seus textos: "o bebé não vota." fala-nos de capacidade maternal (distinguindo-a da capacidade reprodutiva) e diz: "há mães não-humanas. Também sabemos que elas não tiveram na própria origem uma mãe humana. Sabemos que há uma translação intergeracional da violência. Pensamos que se deve tentar pará-la."
são textos a não perder, por todos aqueles que, depois do próximo dia 11, continuem a interessar-se pelos direitos das crianças.
Etiquetas: aborto, Pedro Strecht, Teresa Ferreira
sábado, fevereiro 03, 2007
da vida, da morte II

falamos de tantas coisas, quando falamos de vida: de plantas, de animais, de pessoas, de células (rudimentares ou diferenciadas, cancerígenas ou precursoras de mais vida), de embriões de 10 semanas, de fetos de 30 semanas, de um bebé que nasce. mas falamos de menos coisas quando falamos de morte, do que nos morre.
uma gravidez que termina espontaneamente nas primeiras semanas (o que se crê que acontece em cerca de 20% de todas as gestações), muitas vezes nem é notada. se eu perco um bebé às 10 semanas, posso chorar, posso dizer "foi a natureza a fazer o seu trabalho" ou até que "Deus não quis". mas nunca direi que me morreu um filho. a minha mãe nunca chorará ter-lhe morrido um neto.
(a própria linguagem técnica distingue as várias vidas, em função da sua morte: dizemos primeiro "gravidez não evolutiva", “abortamento”, para algumas semanas depois dizermos “morte fetal in utero”)
há vida de uma forma diferente quando nos morre um filho (essa dor atroz que não desaparece jamais).
da vida, da fé

hoje sei o que deus sempre soube: que o embrião que um dia eu não quis era o primeiro fruto de um amor que eu ainda desconhecia mas que nunca mais pararia de crescer. hoje aceito que teria sido mais cristão não ter tido tanta certeza de tudo como então tive. hoje aceito discutir, à luz de uma fé que não tive sempre, se devemos ou não investir, de forma sempre incontornável, um embrião de um desígnio de deus.
mas o deus em que acredito, além de saber dançar, é um deus infinitamente paciente: fica ao meu lado e encoraja-me na luta que tenho todos os dias comigo mesma, a caminho da generosidade e da serenidade que estão do outro lado do buraco da agulha por onde nunca conseguirei passar. conversa comigo, sem sequer gritar, nunca me atirou uma pedra. como posso supor que me excomungaria por uma dificuldade que tive um dia, antes de ter esta fé de hoje?
(hoje também sei que não estou sozinha)
e hoje (actualização) ainda estou menos sozinha
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
pelo sim: leilão de arte hoje em Matosinhos
hoje, 5ª, 1 Fevereiro, às 21h30, na Nova Biblioteca Florbela Espanca (atrás da Câmara Municipal de Matosinhos):
Leilão de Arte de angariação de fundos com pinturas e esculturas dos seguintes artistas, entre outros: Júlio Pomar, Gracinda Candeias, Chichorro, Eurico Gonçalves, Armando Alves, Jaime Isidoro, Alfredo Luz, Urbano da Cruz, Miguel Barbosa, Dina Aguiar, Ana Pimentel, Oliveira Tavares, Maria João Franco, Jaime Silva, Fernando D'F Pereira, Tenente General Franco Charais, João Limpinho, Ricardo Videla, José Man, José Rodrigues, Manuel Casal Aguiar, Agostinho Santos, Leo, Pedro Olaio Filho, Rui Anahory, Alcino Soutinho, João Samina.
uma iniciativa Médicos Pela Escolha
Leilão de Arte de angariação de fundos com pinturas e esculturas dos seguintes artistas, entre outros: Júlio Pomar, Gracinda Candeias, Chichorro, Eurico Gonçalves, Armando Alves, Jaime Isidoro, Alfredo Luz, Urbano da Cruz, Miguel Barbosa, Dina Aguiar, Ana Pimentel, Oliveira Tavares, Maria João Franco, Jaime Silva, Fernando D'F Pereira, Tenente General Franco Charais, João Limpinho, Ricardo Videla, José Man, José Rodrigues, Manuel Casal Aguiar, Agostinho Santos, Leo, Pedro Olaio Filho, Rui Anahory, Alcino Soutinho, João Samina.
uma iniciativa Médicos Pela Escolha
Etiquetas: aborto
sexta-feira, janeiro 26, 2007
pelo sim
para que o sim encha as ruas,donativos em euros, precisam-se. contribui no blog da escolha.
Etiquetas: aborto


