quarta-feira, janeiro 30, 2008

responsabilidades

completamente de acordo com Eduardo Pitta: antes da responsabilidade política, que podemos exigir a ministros e suas comanditas, está a responsabilidade profissional, que começa em nós, passa pelos nossos directores de serviço e acaba outra vez em nós. estou a falar de médicos mas podia estar a falar de professores, ou de qualquer outra área onde as culpas costumem ser chutadas para canto. estou a falar de profissionais diferenciados que vivem em democracia e que deveriam sentir-se em absoluta responsabilidade, não só pelos actos, mas também pelas suas omissões.

se um doente cai de uma maca, a responsabilidade também é minha. se um aluno passa sem saber o indispensável, a responsabilidade também é de quem o passa. podemos ser pressionados, podemos ser mal amados, podemos até ser perseguidos. mas temos um trabalho a fazer, uma atenção a centrar: no paciente, no aluno. começar no nosso consultório, na nossa sala, no nosso pequeno mundo. não fazer do nosso umbigo o nosso norte. mas depois ir mais longe. e fazer escolhas: pôr num dos pratos da balança o nosso conforto, a nossa inércia e conformismo. saber dizer não: assim não faço, assim não brinco. ter a coragem de falar, de ouvir, de exigir.

a vida é difícil (não vem pronta a ser vivida). e complexa (às vezes a melhor maneira não é evidente). se não somos parte da solução, somos parte do problema.

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quinta-feira, agosto 09, 2007

"Cidade Proibida"


foi um dos primeiros livros destas férias. li-o de um só fôlego, entre a voyerismo (o título não podia ser mais apropriado) e o desconforto. confesso: não consigo, ainda, evitar o desconforto que me trazem as histórias gay. talvez seja uma questão de tempo, ou de ler mais. talvez ler ajude.

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domingo, junho 10, 2007

Vasco Graça Moura visto do Porto

confesso que hoje só fui porque o Eduardo Pitta ia estar no stand da Quidnovi (agora dei nisto de ter livros autografados: não sei se é pelo autógrafo no objecto já de si sagrado, se é pela possibilidade de espreitar nos olhos de quem escreve) e decidi experimentar ler em papel um dos bloggers que tenho como referência.

tinha posto de lado a homenagem a Vasco Graça Moura (talvez por por supôr uma coisa maçadora e distante da escrita). mas enquanto esperava pela hora dos autógrafos fiquei por ali e dei comigo presa às palavras de Luís Miguel Queirós enquanto falava do escritor e dos seus poemas (incluindo dos poucos que conheço e que tenho como meus: "Picasso visto do Porto" e "Ofício de viver") e, sobretudo, das coisas que nos acontecem dentro ao ler. e fui ficando (mesmo não gostando muito da forma como lhe disseram os poemas), até ao fim. descobri que nunca tinha visto o escritor, espreitado nos seus olhos, aqui do Porto.

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