sábado, junho 09, 2007

poemas pedidos: "o amor é que nos desfaz"



"Quando a rotina morde e a ambição se esfuma
o ressentimento domina e a emoção se muda
e mudamos os nossos modos em diferentes caminhos
o amor
o amor é que nos desfaz

A cama está fria pois escolheste o outro lado
o meu tempo desfeito e o respeito deslaçado
mas há sempre este mote que nos guiou toda a vida
o amor
o amor é que nos desfaz

Choras enquanto dormes e expões o meu fracasso
deixas-me um gosto na boca de desespero e cansaço
uma coisa tão feliz que agora se desfez
o amor
o amor é que nos desfaz
"

[versão PM 2007]

(o meu obrigada ao PM por esta versão, pedida há umas semanas para o mail do Estado Civil - quando ninguém respondeu ao meu apelo aqui na linha - e finalmente publicada, por um acaso feliz, em simultâneo com a versão do AMC; bem haja por também seguir este filão)

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poemas pedidos: "o amor afastar-nos-á"

"Quando a penosa rotina magoa,
e frágeis são as ambições,
e o ressentimento alto voa,
mas não crescerão as emoções.
E estamos a mudar os nossos caminhos, seguindo por estradas diferentes.

Então o amor, o amor afastar-nos-á de novo.

Por que está o quarto tão frio?
Voltaste-te para teu lado do leito.
Não intervim em tempo digno?
Expirou o nosso mútuo respeito.
Porém ainda resiste esta atracção que sobreviveu às nossas vidas.

Mas o amor, o amor afastar-nos-á de novo.

Choras durante o teu sono,
expõem-se todos os meus fracassos.
Na minha boca forma-se um gosto,
sempre que o desespero aperta o laço.
E como algo tão bom deixou de poder continuar.

Enquanto o amor, o amor afastar-nos-á de novo."

Ian Curtis, Love will tear us apart, 1980 [versão: O amor afastar-nos-á, de AMC, 2007]

(o meu bem haja ao André por responder ao desafio que fiz (também a ele) e, assim, ter alimentado este filão de canções, coincidências, traduções, poemas e posts)

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sexta-feira, maio 11, 2007

é o amor que nos há-de separar II



resisti mal a esta versão (de uns noruegueses até aqui desconhecidos: Susanna & the Magical Orchestra) que PB compilou na Ponte das 3 Entradas. julgava que conhecia esta canção: do original pesado dos Joy Divison, passando por Nick Cave e terminando nos vários remix que a certa altura foram a coqueluche das discotecas (final dos anos 90?). mas quando uma mulher começa a cantar vagarosa sobre apenas uns leves toques da melodia de Ian Curtis, cairam-me aos pés as palavras dum poema que afinal nunca tinha escutado decentemente (palavras do desencontro que o amor adivinha quando começa a doer). e a voz da Susanna a dizê-lo, lentamente, os instrumentos por trás quase imperceptíveis. resisti mal, confesso: todo o dia no mp3, nos intervalos do trabalho, no metro, de volta a casa, todo o dia, neste embalo, neste desencanto, nesta sabedoria.

love will tear us apart foi gravado em estúdio poucos meses antes do suicídio de Ian Curtis. a sua mulher inscreveu-o para todo o sempre na sua lápide. viciada em traduções livres, desta vez não fui capaz (no site de Ian Curtis está disponível uma tentativa de tradução, miserável aliás). haverá por aí alguém se atreva? por favor?

"when routine bites hard
and ambitions are low
and resentment rides high
but emotions won't grow
and we're changing our ways,
taking different roads

then love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again

why is this bedroom so cold
turned away on your side?
is my timing that flawed
our respect run so dry?
yet there's still this appeal
that we've kept through our lives

love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again

do you cry out in your sleep
all my failings exposed?
get a taste in my mouth
as desperation takes hold
is it something so good
just can't function no more?

when love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again
and love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again"

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quarta-feira, maio 09, 2007

é o amor que nos há-de separar

na ponte das 3 entradas, PB deixa-nos uma colectânea de, nada mais nada menos que, oito versões de uma das mais belas canções de sempre: love will tear us apart. são pérolas em estado bruto. imperdíveis.

(esta canção já foi uma vez evocada nesta linha a propósito de um amigo do DN Jovem de quem os amigos das 3 entradas talvez também ainda se lembrem: o Carlos Gomes)

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domingo, abril 23, 2006

ainda um poema de CG


"um dos produtos era uma chapa
de ferro deixada na terra durante alguns dias,
creio que uma semana. Uma chapa de ferro
enterrada num quintal, apodrecida,
enferrujada por fim onde fora escrito
de um lado LOVE WILL TEAR US APART.
Há uma separação nestas coisas, a beatitude
que surge através de um exílio surdo face
à realidade. Solidão, solidão, ainda um modo
de revelar-se fiel a um corpo
musical projectos nascidos já
para o esquecimento
e talvez por isso ganhando logo
a eternidade e o culto dos que se querem
perder, esfacelar na memória"


(CG Novembro 1985)

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