domingo, outubro 07, 2007

long lost: The Gist



os The Gist apareciam num LP, cujo nome esqueci, com 2 outras bandas: os Weekend e os Young Marble Giant. estavam assim juntos porque as 3 bandas eram compostas por elementos umas das outras, meio sobrepostos. o LP era do Carlos Gomes, uma das músicas secretas que ele conhecia e cujo conhecimento me oferecia como um presente e eu guardava como um tesouro. não me lembro de mais nada e é uma das poucas coisas que hoje não encontro numa pesquisa no Google: nada, nem uma referência, um nome de que se possa ir atrás, uma canção, nada.

mas ao fim de muitos anos encontrei a canção: primeiro só um pedaço no limewire, a provar que não tinha sido apenas um sonho meu, depois inteirinha no e-mule (obrigada Hugo).

deve ser isto a imortalidade, Carlos: carregar contigo na pele, vinte anos depois de te teres ido embora.

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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

insularidade

(S. Miguel, Açores)

"vinhetas
gravuras feitas com água
as ilhas rodeiam devagar o mar" (Carlos Gomes)

para o jpn

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domingo, abril 23, 2006

ainda um poema de CG


"um dos produtos era uma chapa
de ferro deixada na terra durante alguns dias,
creio que uma semana. Uma chapa de ferro
enterrada num quintal, apodrecida,
enferrujada por fim onde fora escrito
de um lado LOVE WILL TEAR US APART.
Há uma separação nestas coisas, a beatitude
que surge através de um exílio surdo face
à realidade. Solidão, solidão, ainda um modo
de revelar-se fiel a um corpo
musical projectos nascidos já
para o esquecimento
e talvez por isso ganhando logo
a eternidade e o culto dos que se querem
perder, esfacelar na memória"


(CG Novembro 1985)

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terça-feira, abril 18, 2006

duas equações de equinócios

1. SETEMBRO
o poente não escurecia e a noite, nunca
amanheceria, ainda a madrugada
não era de adormecer. Não ali.
Corriam os momentos, rios
em nossos corpos-templo, vazios,
esgotados de qualquer eternidade.
Procurávamos, o desaguar da
espera. Encontrávamos

que a serra não nos deixaria adormecer

2. COIMBRA
as próprias manhãs sabem a outra
coisa quando não se acorda, viemos
desde o dia anterior. Navegando
no fumo, confidências, café que
trazemos nos olhos. tão frágil este
nosso corpo e hesitantes e poucas
e curvas as explicações da felicidade
que encontramos. Que perdemos.

nunca teria sabido acordar, esse abril.

(texto escrito a 4 mãos - as minhas e as mãos perdidas para sempre de CG - em Junho de 1985)

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