os The Gist apareciam num LP, cujo nome esqueci, com 2 outras bandas: os Weekend e os Young Marble Giant. estavam assim juntos porque as 3 bandas eram compostas por elementos umas das outras, meio sobrepostos. o LP era do Carlos Gomes, uma das músicas secretas que ele conhecia e cujo conhecimento me oferecia como um presente e eu guardava como um tesouro. não me lembro de mais nada e é uma das poucas coisas que hoje não encontro numa pesquisa no Google: nada, nem uma referência, um nome de que se possa ir atrás, uma canção, nada.
mas ao fim de muitos anos encontrei a canção: primeiro só um pedaço no limewire, a provar que não tinha sido apenas um sonho meu, depois inteirinha no e-mule (obrigada Hugo).
deve ser isto a imortalidade, Carlos: carregar contigo na pele, vinte anos depois de te teres ido embora.
"um dos produtos era uma chapa de ferro deixada na terra durante alguns dias, creio que uma semana. Uma chapa de ferro enterrada num quintal, apodrecida, enferrujada por fim onde fora escrito de um lado LOVE WILL TEAR US APART. Há uma separação nestas coisas, a beatitude que surge através de um exílio surdo face à realidade. Solidão, solidão, ainda um modo de revelar-se fiel a um corpo musical projectos nascidos já para o esquecimento e talvez por isso ganhando logo a eternidade e o culto dos que se querem perder, esfacelar na memória"
1. SETEMBRO o poente não escurecia e a noite, nunca amanheceria, ainda a madrugada não era de adormecer. Não ali. Corriam os momentos, rios em nossos corpos-templo, vazios, esgotados de qualquer eternidade. Procurávamos, o desaguar da espera. Encontrávamos
que a serra não nos deixaria adormecer
2. COIMBRA as próprias manhãs sabem a outra coisa quando não se acorda, viemos desde o dia anterior. Navegando no fumo, confidências, café que trazemos nos olhos. tão frágil este nosso corpo e hesitantes e poucas e curvas as explicações da felicidade que encontramos. Que perdemos.
nunca teria sabido acordar, esse abril.
(texto escrito a 4 mãos - as minhas e as mãos perdidas para sempre de CG - em Junho de 1985)
Sou tão enthusiasta pelos caminhos de ferro, que, se fosse possível, obrigava todo o paíz a viajar de comboio durante 6 meses (Fontes Pereira de Mello)