domingo, novembro 28, 2010

câmara lenta, quase imóvel

apetecia-me deixar aqui o amarelo irreal das folhas das árvores lá fora (árvores que no Outono parecem florescer de folhas caducas que afinal prometem não chegar a cair). mas está frio e eu, de pantufas e preguiça a pesar-me nos bolsos, não consigo chegar a sair. penso todos os dias quando passo por elas: um dia vou-me arrepender de não vos fotografar. um dia vou querer explicar a alguém que as árvores da minha rua no Outono floresciam de uma amarelo fulgurante e frondoso e ninguém vai acreditar. eu própria vou duvidar e concluir que, se fosse verdade, eu as teria fotografado.

apetecia-me deixar aqui esta música do fim dos tempos em que tropecei hoje no iTunes e que ouço em loooop: diamonds and rust. sempre a imaginei a Joan Baez a sofrer este poema pelo Bob Dylan. sempre lhes invejei o amor literário que se liberta, em tom menor, desta canção. um amor trágico e intenso como sempre imaginei os amores dos outros. uma espécie de amor que se vive de ser escrito e invejado por quem sabe, como nós, o que as recordações podem trazer: diamantes e ferrugem.

"now you're telling me you're not nosthalgic
then give me another word for it
you were so good with words
and with keeping things vague
'cause I need some of that vagueness now
it's all coming back too clearly
yes I loved you dearly
and if you're offering me diamonds and rust
I've already paid"

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segunda-feira, outubro 05, 2009

a Freita

(viveiros do Merujal, o nosso Caima 81)


(encosta virada a Arouca)

(castanheiros, num souto rodeado de cedros e pinheiros)

(Sra. da Lage, o nosso Caima 80)

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sábado, novembro 08, 2008

não é só o Verão que nos rodeia de coisas grátis e precisosas. numa tarde de Outono, dar uma volta à rotunda da Boavista, aqui ao lado, pode ser um exercício de inventariar esplendores:
  • as cores absolutas das árvores: verdes vários, amarelos impossíveis, laranjas, vermelhos fulvos, rosas rubros
  • os rapazes* a voarem de skate e a dançarem de bicicleta no passeio da Casa da Música
  • as imagens que os vidros espelhados da Casa da Música devolvem destas cores e destes rapazes
  • o fumo cheiroso que denuncia o vendedor de castanhas a uma esquina
  • bolas vermelhas e estrelas improváveis sobre as ruas à espera da iluminação lá mais para o Natal
  • pessoas na rua passenado de mãos dadas (namorados, pais e filhos, velhinhos)
e não, não é a carrinha da Red Bull a distribuir bebidas grátis que me dá esta sensação de ter asas e de sobrevoar feliz a vidinha, a crise e o amanhã pouco certo. é mesmo ter os olhos, a boca, todos os poros, subitamente preenchidos do essencial.

* muitos rapazes, e só rapazes. onde estarão as suas raparigas?

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