quarta-feira, setembro 05, 2007

livros que me mudaram I

a propósito de mais uma cadeia em circulação ("os livros que não mudaram a minha vida"), fala-se muito de livros estes dias na blogosfera. o que incluir numa lista destas: embirrações pessoais? fugas aos cânones? indiferenças? o que é mudar a vida e, se ela mudará inexoravelmente, como saber se ela foi mudada pelo livro? e se um livro não puder, nunca, mudar-nos a vida?

a mim, alguns livros mudaram, para sempre, a minha vida. mudaram no sentido de se dissolverem nela, fundindo-se na minha história a um ponto em que deixou de ser possível distinguir o que se leu daquilo que se viveu.

por exemplo, tinha-me esquecido de que forma isso tinha acontecido com O Amante (Marguerite Duras) até o ter aberto, ontem, por acaso, e logo na primeira página me ter lembrado de como também "muito cedo na minha vida foi tarde de mais". e, sem nunca ter tido um amante chinês, me lembrar de como "é sempre terrível depois", quando é de tarde e, do outro lado da persiana que separa a cama da rua, se ouvem os ruídos da cidade a bulir e tudo em volta nos soa "incrivelmente estrangeiro". e perceber, como um murro no estômago, porque é que há tardes que se lembram para toda a vida, mesmo quando esquecemos os homens. e porque é que há homens que nunca deixamos de amar. que amaremos até à morte.

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domingo, julho 08, 2007

cadeia de livros 2 a 5

os restantes 4 livros da cadeia são de há 20 anos. são livros que me formataram, que li e reli quando o tempo de ler era infinito, que sublinhei e anotei, emprestei, transportei, transcrevi e, literalmente, desfiz (hoje caiem-me folhas ao chão quando pego em qualquer um deles).

O que diz Molero, de Dinis Machado (Bertrand, 13ª edição 1984), para mim ainda o Livro dos livros. já deu uma peça de teatro que esgotou bilheteiras sem que eu conguisse assistir mas, inexplicavelmente, nunca deu o filme que inevitavelmente passa na cabeça de quem o lê.


Todo o alfabeto dessa alegria, de José Amaro Dionísio (Salamandra, 1985). uma escrita desvastadora, imprópria para pessoas felizes, descoroçoante, imperdoável nos tempos que correm.


A vida material, de Marguerite Duras (Difel, 1987). MD no seu mais lúcido. escolhi este mas na verdade poderia pôr aqui muitos outros: o amante, claro, uma barragem contra o pacífico, sempre, o marinheiro de Gibraltar, dez horas e meia numa noite de verão (se não o tivesse perdido).


A explicação dos pássaros, António Lobo Antunes (Vega, 1981). foi neste ALA, nesta escrita já triste mas ainda límpida, que me viciei aos 20 anos. e já tenho saudades.

e agora lanço a teia aos meus companheiros de linha (H e D, é convosco), ao JPN, ao Francisco (que está de férias e certamente a ler do melhor) e ao André (que espero alinhe nestas cadeias da felicidade, como lhes chamou o Luís).

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sábado, fevereiro 11, 2006

"É preciso amar muito os homens.



Mesmo muito. Amá-los muito para os amar. Se não for assim não é possível, não se pode suportá-los."

Marguerite Duras, in A Vida Material

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