segunda-feira, abril 07, 2008

desfazer as malas

fui para férias a meio das 700 e tal páginas de Exodus mas a sul pude acabá-lo de um fôlego só, demorando depois muito tempo a libertar-me da sua atmosfera. este romance histórico (que vejo desde pequena em casa dos meus pais) conta a vida trágica dos judeus desde finais do século XIX e até alguns anos após a criação do estado de Israel.

foi só depois de começar a ler Amos Oz, e em particular depois do belíssimo (autobiográfico) "Uma história de amor e trevas", que percebi que precisava de conhecer mais sobre a história do povo judaico.

compreender que a tragédia dos judeus não começou nem acabou com o holocausto de Hitler, é demasiado horrível. descobrir que tantos povos, durante tantos séculos, perseguiram, torturaram e humilharam pessoas com base na sua etnia ou religião, sufoca-me. ver como, então como agora, governantes de países insuspeitos fecharam os olhos às atrocidades cometidas por outros, em nome de interesses e estratégias várias, tira-me a esperança. e aprender como é possível resistir, resistir, resistir, para lá do que é humano, para lá do que é respirável, na maior adversidade, no maior isolamento, no impensável. resistir e vencer, defendendo cada dia de vida, cada metro de terra sua, cada rosa, cada grão de areia, cada gota de água, cada palavra, cada oração, cada passo.

(quando fui à procura dele, o livro de casa dos meus pais já tinha desaparecido. nas livrarias também me disseram que estava esgotado. tive a sorte de pouco depois encontrar este Exodus, na montra de um alfarrabista, e por 5 euros!)

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