segunda-feira, junho 01, 2009

sanatório marítimo do norte


no Banana Killers & Co., onde é, aliás como aqui, tema recorrente.

há lugares (e nomes e momentos e histórias) cuja beleza resiste ao mais profundo abandono.


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terça-feira, dezembro 16, 2008

de comboio

porque quem já atarefou, não tem para atarefar, no passado fim-de-semana fui a Lisboa de comboio. sim, fiz a linha do norte todinha. já não me lembrava como é especial viajar de comboio, sentir os Km desfazerem-se-nos debaixo dos pés, os lugares de sempre a ficarem para trás e um destino-desejo a chegar. já não me lembrava como é passar de comboio rápido, num instante, sem parar, pelo meu apeadeiro (a alegria que se sente, e uma espécie de asas) e, mais tarde, lezíria dentro, saber por uma linha distante de choupos e ciprestes que Lisboa e os amigos e a vida que lá aconteceria já não tardavam.

e nem uma fotografia trouxe para guardar de vez esta memória, esta viagem eterna.

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sábado, janeiro 26, 2008

sociologia instantânea


a minha turma da 4ª classe na escola primária de Francelos, em 75. 29 raparigas dos 8 aos 13 ou 14 anos. destas, conto 9 que continuaram para o 5º ano (então 1º ano do ciclo). apesar de ter continuado a morar em Francelos ainda por muito tempo, nunca mais vi a maioria das restantes. quem serão hoje, com a 4ª classe? que vida terão tido?

vejo as perninhas, claramente subnutridas da IR, que no quadro patinava sempre nas contas enquanto, perante toda a turma, a professora lhe gritava "cábula". e a bata sem botões da IS, que tinha piolhos residentes no seu estranho cabelo. as boas alunas todas juntas, à direita, mais perto da professora (que será dela também?).

"sociologia instantânea" (como JPP nos mostrou que Susan Sontag escreveu em "On Phtography").

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domingo, janeiro 14, 2007

longe de ti

(Sanatório Marítimo do Norte, fotografia de Daniel Blaufuks, anos 80)

por detrás das fotografias estavam às vezes coisas que teriam acontecido aos que vinham passar aquelas temporadas doentes, lentas, húmidas, a Francelos; coisas que nunca poderiam contar a ninguém mas que de certeza existiram nos quartos nus, nas varandas compridas sobre o mar, nos corpos repousando ao sol e ao vento norte e, a prová-lo,

esta fotografia e estas palavras indecifráveis para ela: "longe de ti". de quem? quando? longe, onde? porquê? a morte? a praia? o norte? a casa? ou só a beleza das coisas perdidas?

não sei, mas tenho a certeza.

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