segunda-feira, outubro 16, 2017

festejos

não há festa sem música. não há memória sem música. não há tempo não há história não há quase nada em mim sem uma música por dentro, sem música em volta, sem ela. essa língua franca.


«Meu nome é Ana e sou viciada em música
É ela quem me chama quando eu já não estou lúcida
Quando o mundo desaba e o coração se quebra
É ela que o cola e sara, ela é que me devolve à Terra»

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quinta-feira, setembro 21, 2017

professores

um texto belíssimo no Público de ontem, de Santana Castilho, sobre ser professor.
«Deverá esse “superego” atípico impedir que os professores empurrem as crianças pelos corredores da pressa e do utilitarismo, quando as deviam guiar pelos trilhos calmos do personalismo e dar-lhes tempo para terem tempo? Trilhos onde os livros tradicionais ganhem aos meios electrónicos, a memória seja uma qualidade intelectual respeitada e o silêncio cultivado como meio para nos encontrarmos connosco próprios, aprendendo que até um cabelo projecta a sua sombra. 
A missão de um professor é também impulsionar e acelerar a evolução da humanidade dos seus alunos, tornando-os mais sensíveis, ensinando-os a distinguir a verdade da mentira, a justiça da injustiça, a humildade da vaidade, a bondade da inveja. O desiderato de um professor é também ter alunos que prefiram uma derrota com honra a uma vitória com trapaça, que escolham a gentileza à brutalidade, que prefiram ouvir a gritar, que saibam que chorar é próprio de quem sofre, não diminui e, quando acontece, só engrandece. A obrigação de um professor é também ensinar aos seus alunos que só aquece aquilo que se consome, que a falta de uma só trave pode tombar todo um sistema, que é mais difícil fazer o que o coração dita que o que os outros esperam, que é impossível tocar uma nuvem mantendo os pés no chão, que são os erros e as esperanças desfeitas que ajudam a crescer e que, citando Confúcio, “não poderão mudar o vento mas poderão ajustar as velas do barco para chegarem onde quiserem”.»
aqui https://www.publico.pt/2017/09/20/sociedade/noticia/a-consideracao-dos-professores-do-meu-pais-1785930

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domingo, setembro 17, 2017

fora do coração

hoje sonhei que voava ao longo da costa, sobre o mar muito azul e umas arribas que não sei onde ficam. e enquanto voava cantava esta canção sublime, em particular a parte: «por fora não se vê / que por dentro é desamor».



trevas que chamam
o corpo para a escuridão
corpo que sente
mas que não resiste

serve-me apenas
um travo dessa ilusão
ou uma chama 
que nos leve daqui

viajei numa vaga intensa
que poucos conhecem
preparei uma valsa negra
que não nos desfaça

fora do coração
deixo o que me faz mal
deixo as coisas que
fazem sofrer
p’ra superar melhor
para por longe a dor
e sem mais demoras sermos nós
o meu maior valor 

Por fora não se vê
que por dentro é desamor
por fora não se vê
que por dentro é desamor

viajei numa vaga intensa
que poucos conhecem
preparei uma valsa negra
que não nos desfaça

fora do coração
deixo o que me faz mal
deixo as coisas que
fazem sofrer
p’ra superar melhor
para por longe a dor
e sem mais demoras sermos nós
o meu maior valor 


Valter Lobo no festival 'Bons Sons', este verão. assim, neste por-do-sol, neste coreto, com esta precisa canção o ouvi pela primeira vez e me rendi de imediato.


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domingo, junho 18, 2017

viver para sempre

alegria genial
vida genuína
voz fascinante
sente comigo canta comigo dança comigo vive comigo sente comigo canta comigo dança comigo vive comigo sente comigo canta comigo dança comigo vive comigo sente comigo canta comigo dança comigo vive comigo sente comigo canta comigo dança comigo vive comigo sente comigo canta comigo dança comigo vive comigo sente comigo canta comigo dança comigo vive comigo sente comigo canta comigo dança comigo vive comigo sente comigo canta comigo dança comigo vive comigo


meu Deus assim eu quero viver para sempre

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domingo, junho 04, 2017

long lost: Michael Franks




«I came unglued the night I met you
I felt my life divide by two
you'd think by now I would know better
love is always blue»

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sábado, maio 27, 2017

a música é uma resposta

sempre foi, é todos os dias e apazigua-me saber que sempre será.


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sábado, maio 13, 2017

Francisco

eu com a minha aversão a multidões e a filas e a confusões subitamente aqui em casa a invejar quem está na Cova da Iria, os que chegam, os encontros, a fé e a esperança imensas que ali se respiram, o silêncio que foi possível entre tanta gente, a comoção, as Avé Marias, a Paz, a Paz, a Paz rezada vezes sem conta, as luzes sem fim à noite, os olhos cerrados de alguns, os olhos abertos de outros, a força impermeável que todos exibem.

(fotografia de Paulo Pimenta, no Público de hoje)

Francisco é o Papa que se define como «um Homem de pensamento incompleto». fala insistente e genuinamente dos desterrados, dos excluídos, dos infelizes, dos deserdados. chama-nos a mudar o mundo, todos os dias, um passo de cada vez.

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quinta-feira, maio 11, 2017

«fat bottom girls make rock'n'roll go 'round»

as raparigas encenando «fat bottom girls make rock'n'roll go 'round»
1981 liceu de Valadares

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sábado, maio 06, 2017

queima

a queima do Porto começa hoje à noite. é incrível como tantos anos depois - ao senti-la no ar por morar bem no meio da movida estudantil universitária - ainda revivo sempre o frémito que esta semana de festa nonstop sempre me trouxe. 


eu na serenata da minha penúltima queima, em 1991 (sim, a pasta com as fitas ainda não era a minha). nessa época já mal cabíamos no terreiro da Sé e a comoção das guitarras e vozes do fado era interrompida pelo medo de morrer esmagada naquela multidão. lembro essa comoção e esse medo misturados com a sensação meio louca de que tudo podia acontecer nos dias que viriam. a euforia dessa liberdade imensa e perigosa que é esticar os nossos limites.

lembro isso hoje, uma vez mais, mas desta vez com uma sobressalto extra. começa hoje a primeira queima do meu filho F. 

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esperança, ainda


aconteceu na República Checa e vem no Público hoje e em todos os jornais e redes sociais do mundo. um comício do partido neonazi local foi objecto de uma contramanifestação. uma foto feliz apanhou uma escoteira de 16 anos, Lucie Myslikova, numa aura de bolas de sabão, a argumentar com um enfurecido porco neonazi.

«(...) "Eu não estava com medo”, garante Myslikova. “Eu fui à contramanifestação como alguém que está determinada a alterar as coisas. Para mim, faz sentido tentar e mudar o mundo à minha volta”
(...) revela que a discussão se centrou nos refugiados e imigrantes. O argumento que a escoteira apresentou era o de que os países têm o dever de ajudar aqueles que fogem da guerra e que não existem fronteiras, cita a BBC. O homem, que não foi identificado, respondeu, dizendo-lhe que deveria ser violada pelas pessoas que ela está a tentar salvar.
(...) Vladimir Cicmanec foi quem tirou a fotografia (...)»
num segundo, numa só imagem, o eterno triunfo da paz sobre a raiva, da coragem sobre o terror. é também o triunfo da esperança.

quero muito ser deste mundo sagrado.

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quarta-feira, maio 03, 2017

o mistério


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