terça-feira, abril 25, 2017

Via Láctea Soneto XIII



Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

© OLAVO BILAC

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sábado, abril 22, 2017

há 30 anos

há trinta anos
eu respirava assim
acredito que foram estas overdoses de imensidão
de espaço, de tempo, de liberdade, de sonho
que me guarneceram de força para a a vida

(M no Gerês, 1987)


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sexta-feira, abril 14, 2017

primo

sonhei contigo hoje. que afinal estavas connosco, falavas-nos e sorrias. e abraçávamo-nos uns aos outros nessa alegria.

saudades tuas, já, tantas.


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terra do amor

uma descoberta fascinante em Vilar de Mouros 2016: Milky Chance



Take me to Loveland
And no one is gonna find me
Cause I'm leaving this old place
I don't care
Nothing's too far
I handle that
Oh trust me
When we're leaving this old place
I don't care
It's like she has flowers in her hair
And you, You have flowers in your mouth
Cause your heart is upside down
And you get dizzy because of her charisma
She will love you like a twister
You'll be swept away
You'll be swept away

Like we were so so soo so sooo in love
Like we were so so soo so sooo in love

Take me to Loveland
And no one's gonna find me
Cause I'm leaving this old place
I don't care
Nothing's too far
I handle that
Oh trust me
When we're leaving this old place
I don't care
It's like she has flower in her hair
And you have flowers in your mouth
Cause your heart is upside down
And you get dizzy just of her charisma
She will love you like a twister
You'll be swept away
You'll be swept away

We were so so soo so sooo in love
We were so so soo so sooo in love
And we were so so so so so so so sooo in love
And we were so so so so so so so sooo in love

nunca tinha ouvido falar deles mas foi um concerto BRUTAL! depois do festival fui à procura. são alemães os putos e têm outras canções incríveis que darão para muitos posts.

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sábado, abril 08, 2017

saudades da Costa Rica

e de Manuel Antonio

chegada a Manuel Antonio

parque nacional

 parque nacional

restaurante Mar Y Sol

 praia Manuel Antonio


 partida de Manuel Antonio

Costa Rica 1994

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terça-feira, abril 04, 2017

a ouvir em loop



Inch of Dust
A part of me you have
A part of me you hold
Apart from me you stand
And there's parts that you had stole
Littering in the cupboards
Like some pieces of the puzzle
A nest just like a mother
The dampness of your sweater
It's never put together
As I watched you from the window
Behind the curtains you turned
Slowly as a teacher
Wrap around you tightly
This love is built in metal
Fall around in shadows
It's never put together
It's never put together
Behind the curtains you turned
Fall slowly as a feather
The part of you I have
The part of you I hide
The parts of you I hold
The parts you left behind
Call me
I'll be there always
And call me
I'll be there always
And

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domingo, abril 02, 2017

A memória do corpo

Todos temos desses momentos em que não se é mais que tristeza.
A vida, despida até aos ossos, parece já não ter sentido.
Com a morte na alma, para te recompores, chamas,
no limite das forças, a tua enfermeira, a memória.

Mas às vezes é tudo tão negro, há em ti uma tal desordem,
Que não serve de nada a memória do coração nem a da razão.
Toda a vida se apaga nos teus olhos.
Acabam-se os gestos e as palavras.

Mas tens outra memória, a memória do corpo.

- Que os teus pés, então, se lembrem da poeira quente dos caminhos, e da erva tão fresca onde repousavam descalços;
- Que a tua fronte culpada recorde a bênção de um beijo que mal se sentiu, dado, quem sabe, pela tua mãe;
- Que as tuas mãos se lembrem dos pinheiros, do centeio, da chuva, dos pardais que chilreiam e da crina do cavalo que estremece;
- Que os teus lábio se lembrem de outros lábios, que contêm o gelo e o fogo, a noite e a luz, e todo um mundo perfumado de laranjas e neve;

Então dirás “perdão” à vida, que, sem saber, acusavas!

Então dirás “perdão”, deste pecado de ter sido estúpido e mal humorado.

E. Ievtuchencko

morreu ontem

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quinta-feira, janeiro 08, 2015

je suis Charlie


terça-feira, março 01, 2011

Borda D'Água


“(…) Para o ano de 2011, procurámos deixar as informações habituais, o calendário, as luas, o santo do dia, os feriados nacionais e religiosos, as festividades, as festas e feiras por todo o país e tantas outras coisas a que fomos tendo acesso. Nesta edição, os provérbios regressam para relembrar a tradição secular do povo português. Uma palavra muito especial aos lavradores, aqueles que diariamente convivem com a terra com as plantas e os animais e procuram ajuda na observação da Lua para orientar as suas plantações…”
A crise devolve-nos às coisas simples. Voltar a comer da terra, vestir a roupa das feiras, regatear os preços a moeda corrente, reiniciar a leitura da Lua, assentar juízo nos provérbios e, cabisbaixo nas leituras, voltar ao «Príncipe» de Maquiavel com um copo de vinho do produtor.

sábado, fevereiro 05, 2011

Tarefas da memória

Acredito no exercício da boa memória. Porque escolhi por opção o prazer das coisas boas, o beijo pendurado que ficou próximo de cumprir, o agasalho que ainda ofereces quando o vento obriga, a presença no almoço dos que falam de outros assuntos que nunca te ocuparam o teu registo de anos, os copos da rodada que tens de pagar, cumprir ritual, a prenda que deixas na nenhuma expectativa de quem a vai receber, discutir manchas na pele que te começam a manchar os teus 40 anos, a revolução de jasmim na Tunísia decalcada no nosso 25 de Abril.
A cabeça a trabalhar a boa memória. Ainda lembro sítios recorrendo sempre a mulheres velozes. Comigo foste feliz ali. Contigo fui feliz aqui. Cheiras a um perfume antigo. E os mapas que sabemos em pormenor quando fomos apenas electrões de valência, energia do andar às voltas da vida. E a sombra das árvores que nos fizeram ficar. E as marés que nos passaram entre os dedos, nós que nunca fomos de maresia, não fosse o sal que resistia no teu olhar. E o anel e o brinco que dataram tempos onde éramos apenas barcos de velejar. E aquele crescente da lua que iluminou o teu rosto na janela da casa da eira, tão linda como quando saíste a primeira vez de casa com as chaves da porta no bolso. E a música que ainda cantas às escondidas com a vida. O YouTube não serve a memória. A boa memória existe quando nos encontrarmos outra vez!

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Liedson da Silva Muniz

Nasceu na Baía um baiano que me provocou nos últimos 7 anos gritos vitoriosos na boca, desajeitado com andar gingão, atleta do meu Sporting que respira GOLO como bebo traçados de vinho com a gasosa das emoções, cesto de nozes, ou mulheres decisivas que também me afectam como ele o coração.
Fez há pouco dois golos, uma argúcia dos predestinados, vi todo o seu último jogo entre torradas e queijo fresco, a mesma frescura com que troca os pés aos defesas à entrada da área.
Despediu-se emocionado do cenário de Alvalade e deixou-me (já começou) um percurso de saudade. Homens como este, destas mesmas alegrias, lembro-me do Damas, do Manuel Fernandes e do Jordão. Pronto, e do Hector Yazalde (Chirola), meu primeiro ídolo a sério nas campanhas do verde-branco.
Foi português de Selecção, fala a língua e a necessidade da portugalidade nos mais capazes. Foi cartazes, «Liedson resolve!». 173 golos.
Quando marcava,
abria a mão em eco de orelha, ouvindo todos,
a festa da bancada,
esse grito da felicidade dos simples.
Estes nomes ficam na memória. Os outros apenas músculo, alguns desenhos no relvado e salários que não ganharemos nunca.
Amanhã todos os jornais e noticiários, se forem sérios, colocarão nas manchetes um nome: LIEDSON. Tudo o resto começará a fazer parte da memória! E não fez mais golos para meu regozijo, porque não tinha jeito para penalties!

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