sexta-feira, outubro 20, 2006

noites que acontecem


Peço perdão pela hora, mas «está consumado» como a música e só agora a chuva me deixou estacionar com segurança. Primeiro o tinto primeiro. Depois o branco com deuses de branco, casta Fernão Pires, a estalar na garganta nozes, depois vozes (coisas da nossa sabedoria!) querendo empar no copos toda a vindima das vidas.
Bebemos copos na capital do Chícharo que baste. RB partiu depois da boleia que me colocou à chuva com um carro nas mãos. Ficou para trás a adega «casa do povo» e os telefonemas seguintes sem resposta coordenaram viagem.
Sentei-me ao volante e fiz todo o percurso que imagino de RB, vulto avulso, a caminho de casa, acreditando que era junto à casa que o encontrava, porque não atendia os meus sucessivos telefonemas dispersos na noite e porque, por isso, me começou a crescer a dúvida se chegaria limpo sem riscos no cromado.
A viagem que acabei de fazer – esse percurso de amigo - daria a Scorsese do “táxi driver” um trajecto de espanto.
Pegas no carro e decides: vais por ele fazer-lhe o mesmo provável percurso. Fiz, cúmplice, conivente. Cheguei e estava em casa, evidência de carro à porta. Não bati, porque batido o corpo dele chegou.
A chuva era companheira cúmplice. Cheguei-lhe no carro as escovas do vidro para a frente, (esse dizer que estive, por lá passei!) amanhã dirá que o protegi. Por ele fiz muitos kilómetros que não queria. A mulher não saberá que há anjos sem asas à chuva como eu, corrigindo a alegria dos amigos.
Cheguei agora a Coimbra B. «Está consumado». Pagará um copo quando lhe falar da estória, estou certo E então dir-lhe-ei que assim devem proceder os amigos que se armam em anjinhos.

1 Comments:

At 12:59 da manhã, Blogger Mónica (em Campanhã) said...

já fui anjo assim, uma vez até integrei uma dupla de anjos. éramos divinos. também já fui assim velada, senti por vezes um rufar de asas por perto, um ar morno de gente que não se vê.

 

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