sexta-feira, maio 12, 2006

Longa Marcha


Logo pela manhã, na linha do meu caminho, pela esquerda, tem seguido a antiga marcha movida a água benta. Silêncios peregrinos a caminho de Fátima. No andar e andar uns chegam, outros passam, todos partem. Têm vestes de confraria: chapéus, cajados, chinelos e um mesmo colete reflector laranja e verde.
No regresso pela noite, encontro-os mais à frente, pela direita, mais perto do destino, deixando nos olhos do meu carro um rasto de pirilampos mágicos.
Há um destino que os guia nesses passos torpemente decisivos. A ânsia de chegar ao longe dos longes, à plataforma de pedra, ao altar dos tempos, procurando a recompensa por promessa de beijos nos lábios ou na cruz – Maria Madalena ou Virgem Maria.
Aflige-me agora uma preocupação sobre os meus olhos, «princípio de miopia», por não ter visto no rebanho, a pé, um único padre pastor, muito menos da raça dos imperadores - bispos e cardeais. Vi velhos arrastados, homens firmes de cabeça alta, mulheres fragilmente simples, jovens carregadinhos de sagrado e de profano e vi um miudito sorridente, empurrado num carrinho-de-bébé. Sou eu que já não vejo ou a luz celeste dos padres, bispos e cardeais ao andar é tanta que me ofusca o olhar.
Quando Mao decidiu avançar, foi à frente dos seus guerreiros, guardas da ilha de Taipé, fronteiras de Chang Kai-Chek.
Eu, que não tenho mobilidade prometida, vou-me sentar ao plasma a ver a “Marcha dos Pinguins”, outros imperadores. Essa marcha é que me encanta.

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