sexta-feira, novembro 03, 2006

descida das vidas no rio


Ao olhares-me como nesta noite de luzeiros, olhas,
tranquila, assim da queda da nascente,
corpo de mãe-de-água,
lá bem no cimo das primeiras pedras,
(fio de água filtrado nas primeiras areias)
és mulher de uma sensatez comprometida.

Navega no espelho de água o veleiro da nossa vida vivida!

Mas quando intranquila apertas as margens,
ou os lábios, adianto seios,
por uma espera por mim entre as pedras da foz,
o rio ganha a água dos teus olhos,
indecisos, corrente da vida.

E discutes – agora com olhos secos - apenas a hora do dia
em que esperarei por ti, feroz, alma quase consumida.

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