ter-te

ter-te é, de súbito, a minha ocupação
ter-te comigo
sentir-te ao longe
ouvir-te
ou só saber que dormes
que já vens
saber de ti
ter o teu corpo
essa concavidade em que encaixo
- inteira, exacta -
onde encosto o meu medo
as minhas noites
ter-te
o teu ângulo mais duro
a tua mão a tua voz
ter-te, inteiro
ter-te, ainda
na precaridade da vida
numa eternidade que sei que não existe
Etiquetas: amor

4 Comments:
Assim vamos encaixando na concavidade da vida. Bem o mereces como bem o escreves.
Muito bonito.
(perdoa, se não se pode dizer apenas isto de uma poesia.)
mas que bonito, M...
não sei estar quieto perante a exactidão das tuas palavras...
por isso escrevo:
gosto de ti como da chuva...
sempre azul...
sempre de vez em quando...
J, sempre no apeadeiro...
de miramar só por comodidade...
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