Os anos da Mónica

A PRESENÇA
Que são os subterfúgios da presença,
se acaso a presença não é mais que a projecção
das nossas sombras e do nosso vazio?
Será que ela se aproxima, a vizinha invisível,
e entre o âmbito da casa e o fantasma
povoa os interstícios entre o estar e o não estar,
sendo sempre a metade da sua ausência?
Será preciso inventá-la para senti-la recém-aberta
como se de súbito um jardim invadisse a nossa mente
e os nossos pés sentissem a maré subterrânea
e tudo em nosso corpo dissesse: hoje é o desejo?
Que será a presença se não for um equívoco caligráfico
na ilusória perspectiva dos sentidos?
Será que ela se assoma aos varandins
e nos dá outros olhos para tudo o que nos falta?
Rosa, António Ramos, Antologia poética
5 Comments:
parabéns também, Mónica.
Pois que os repitas sempre ;)
obrigada, David, obrigada a todos. se eu própria andasse mais por aqui teria certamente sentido mais a falta... ou teria mesmo escrito um post a mim pópria.
Afinal é ela aquela menina do balão a festejar!
Parabéns
~CC~
Ah, Mónica, meus parabéns atrasados!
Beijinhos
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