segunda-feira, abril 21, 2008

Viagem a um sítio Real II - Chinchón

© Chinchón (vista do muro das lagartixas) 2008


© Chinchón 2008

Quando chegas à Plaza Mayor, percebes tudo. Há tanta diferença ou tanta partilha, que os donos das casas não são necessariamente os donos das varandas, lugares comprados, sagrados, como balcões para assistir à lide dos toiros.
«Gostas de toiros?»
«Gosto tanto como as vacas!», responderam-me.
Chinchón tem história de realeza, tem Goya nas pinturas da Iglesia de la Piedad, Ntra. Sra. De La Asunción, também tela da sua Condesa e tem uma estória: «as lagartixas». Diz a estória que quem não tinha dinheiro para a posse dos balcões, subia a rua estreita até ao teatro rosa, Lope de Vega, sentava-se no muro que dá vista à praça e via a lide ao sol, sentindo-a no espaço da sombra. Sol e sombra. Os dos balcões, tinham vista total sobre a lide. Os do muro de cá de cima onde estive, quando o toiro procurava terrenos de sombra, apenas sentiam a corrida conforme os aplausos ou os apupos, vivendo-a parcialmente como invisuais, mas vivendo-a sempre. Ficaram conhecidos como «os lagartixas». A natureza do sol. Lá do cimo, imaginando a corrida do próximo Outubro, também eu me senti (sentei, cú no muro!) como uma lagartixa.

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