Parque Natural de Monfrague

Deixei o mundo à minha espera e fui. Há sempre um lugar para nos escondermos do mundo e o ouvir.
Fui procurar o Tejo em terras de abutres e grifos. Nas escarpas do rio. Nas passadas das caminhadas. No silêncio da luz e dos ruídos. No voo das águias imperiais e das cegonhas negras. Parque Natural de Monfrague.
Dois dias mansos de caminhar junto ao Tejo. Primeiro no próprio parque. Levar binóculos, levar quem saiba de aves e fazer itinerários de mata mediterrânea. Caminhar na terra quieta tem um gosto único. Ouve-se o mundo como o mundo é.
Domingo voltar a terras de Portugal. Sempre rente ao Tejo. Salvaterra de Extremo e fazer novo percurso até ao rio. Sempre na vista o castelo de Penafiel no cimo da escarpa, hoje espanhol, outrora fortaleza nossa.
Levei as crianças e elas gostaram de saber as pistas e marcas dos caminhos, gostaram de aprender a espreitar no telescópio e saber das aves a cor das penas, os nomes baralhados, o fim do mundo. Viram veados. Torceram o pescoço ao céu entre as águias e os grifos. Molharam os pés na água fria e forte do Tejo quebrado. Apreendem o mundo no lugar onde o mundo começou.
Viemos na linha de água desaguar a Lisboa. Nunca mais olharão este rio da mesma maneira. Apreenderam a engrossar o caudal azul e alguma coisa na alma lhes ficou a aguar.
2 Comments:
Que texto bonito, H.
Que bom sentir-te espanhola onde o fui também. Espanhol, por escassas horas...
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