Quinzena olímpica

Mas, sabes, agora ando andando no meu trabalhinho sem medalhas no horizonte, porque nunca as prometi. Não sei onde começa a curva da palavra férias, o sítio onde começamos a desviar este sentido e aqui acabo e recomeço, a folha da tília para um chá, a metamorfose do bicho-da-seda, borboleta, folha comida para o que virá. Tenho pelos joelhos a lucidez do Obikuelu, a certeza de todas as contas bem pagas ao Gustavo Lima, a asma do Paulino, o espírito de missão da Vanessa, a estupefacção da Naide, o rigor dos árbitros da Telma, o «não ser muito dada a estas competições» da gaja do lançamento do martelo, a caminha pela manhã de um atleta, a borla da viagem de um vice-presidente em detrimento do director-técnico do tiro, seja o alvo o que for, fosse a versão abrasileirada da delegação do BES, pronto, partindo apenas a montra toda com o desvio dos incompetentes.
Mas, sabes, ando num clima de Jaime Pacheco do Boavista, sem rei nem reino, ou de cavalo português que se assustou com o ecrã. Pelo meio ainda telefono a um amigo médico, que esteja atento às 11:30 à cama 12 da cirurgia 1, porque o deitado é amigo de um amigo e precisa do conforto clínico. Sócrates e Cavaco entusiasmam-se por Vanessa, a regra de minimis política. A medalha, a medalha redonda deste trabalho que não me traz mais do que uma antiga motivação, é um exercício de espera. Este outro tempo tem um futuro anunciado a portaria. Cumprir o articulado para ter ordenado. Cumprir o artigo onde a vida me fará sentido. Disso vivo ainda, deixando cair lugares onde os meus olhos se encheriam de memória. E os teus, se tivesse tempo para isso. Um dia…
Mas, sabes, ainda gosto desta vida como uma modalidade olímpica!
4 Comments:
então,estamos ? no mesmo agosto que ardeu lisboa... gosto de saber que te tenho na linha.
Ainda te lembras quando Lisboa nos ardeu nas mãos?
bom post david, se eu desse medalhas já cá tinhas uma!
Ai estas rotinas feitas poesia!
Abraço
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